sexta-feira, 12 de março de 2010

queria muito


Não posso cantar porque não me deixam, dizem que não canto, grito. Não posso fumar porque não tenho tabaco. Não posso rir porque não tenho motivos para isso. Não posso dizer sim porque não é o que quero. Não posso dizer não porque não sou capaz. Não posso estar sozinha se não vou pensar em tudo o que me rodeia. Tornasse tudo muito mais difícil se não posso realizar tudo aquilo que acabei de dizer, excepto, claro cantar. Gostava que tudo fosse diferente. Nem tudo. Digamos que na verdade até existe experiências bem agradáveis, tal como conviver com pessoas fantásticas e ter uma família espetacular. Não sou daquele tipo que nós vemos na rua maior parte das vezes, bonitas por vezes mas olhando para elas vemos que são extremamente falsas. Não, não sou assim. Gosto de viver a vida, sem qualquer tipo de chatice ou confusão. Adoro permanecer com um sorriso colado na cara. Mas a vida não me deixa por vezes fazer isso, olho à minha volta e o Mundo está cheio de crueldade, cheio de restos de pessoas. Queria viver com a minha avó ao meu lado, ela faz-me muita falta. Só de pensar que a minha vida foi construída com ela, dá-me vontade de deixar tudo para trás e ir viver para junto dela. Tenho medo vó, tenho muito medo que não olhes por mim até ao fim. És o meu único anjo, anjo esse que me segue permanentemente e espera que tudo esteja bem. Talvez seja por ti que eu acordo todas as manhãs, talvez seja por ti que eu consiga viver, talvez seja por ti que eu ainda aqui ande. Porque sei que não queres que desista desta coisa à que chamamos vida. Olha para mim, agora, só mais uma vez e diz-me que tudo vai ficar bem. Quero-te dar apenas mais uma palavra, apenas uma. O quanto eu sonhei em passearmos as férias juntas de novo, o quanto sonhei voltar a dormir agarrada a ti, o quanto eu gostava que voltasse, ... Desculpa se ando a fazer tudo ao contrário daquilo que pretendes mas não está fácil, nada fácil. Olha por mim, por favor.

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